23 de outubro de 2006

Mário de Andrade

O poeta Mário de Andrade nasceu no ano de 1893 na cidade de São Paulo.
Além de escrever poesias, Mário era romancista, crítico de arte, folclorista, musicólogo e ensaísta brasileiro.
Em 1917 pubicou seu primeiro livro, chamado "Há uma gota de sangue em cada poema". Mas foi com sua segunda obra, "Paulicéia Desvairada", que Mário se destacou como autor modernista da famosa Semana de Arte Moderna (1922).
Suas principais obras:
Paulicéia Desvairada
Macunaíma
Clã do Jaboti
Lira Paulistana
Descobrimento
Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.

Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!
muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu.
Mário de Andrade
(1893 - 1945)

21 de outubro de 2006

Castro Alves

Em 1847, na Bahia, nascia Antônio Frederico de Castro Alves, ou simplesmente, Castro Alves.
Filho de médico e professor, Castro Alves sempre teve em seu lar o incentivo a leitura, onde encontrou a atmosférica literária,a través de contos, poemas e poesias.
Com apenas treze anos fez seus primeiros versos.
E pouco anos depois, em 1868, no Rio de Janeiro, recebeu a consagração pública de Machado de Assis e José de Alencar.
No fim desse mesmo ano, Castro Alves sofrera um acidente, um tiro no pé durante uma caçada, a qual resultou uma longa enfermidade, cirurgias e mutilações. Não resistindo a esse sofrimento, veio a falecer em 1871.
Reconhecendo-lhe o talento e importância, a Academia Brasileira de Letras nominou a sua cadeira 7 em homenagem ao Poeta dos Escravos, o "condoreiro" Castro Alves.
Suas principais obras:
Espumas Flutuantes
A Cachoeira de Paulo Afonso
Os EscravosTragédia no Lar
A Canção do Africano

Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto o braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão...
De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez, pr'a não o escutar!
"Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!"
O sol faz lá tudo em fogo,
Faz em brasa toda a areia;
Ninguém sabe como é belo
Ver de tarde a papa-ceia!
"Aquelas terras tão grandes,
Tão compridas como o mar,
Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de pensar...
"Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro;
A gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro".
O escravo calou a fala,
Porque na úmida sala
O fogo estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
P'ra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar!
O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.
E a cativa desgraçada
Deita seu filho, calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!
Castro Alves
(1847 – 1871)

20 de outubro de 2006

Álvares de Azevedo

Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em São Paulo no ano de 1831, mas passou sua infância no Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos.
Cursou Direito pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Nesse período universitário, Álvares de Azevedo se destacava pelas suas produções literárias e também por sua facilidade em aprender línguas e seu espírito jovial e sentimental, onde através disso traduziu importantes obras para o português, como Otelo de Shakespeare.
Não conclui o curso, pois adoeceu de tuberculose pulmonar.
Com apenas 21 anos, sofreu uma queda de um cavalo e faleceu.
Em homenagem a esse grande autor e poeta brasileiro, a Academia Brasileira de Letras tornou-o patrono da cadeira número 2.
Suas principais obras:
Lira dos Vinte Anos
Noite na Taverna
Poema do Frade
O Conde Lopo
Pálida, à luz da lâmpada sombria.
Sobre o leito de flores reclinadas,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! Na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d´alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! O seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noite eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!
Álvares de Azevedo
(1831 – 1852)

19 de outubro de 2006

Mario Quintana

Mario Quintana nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, no ano de 1906.
No Colégio Militar, em 1919, publicara suas primeiras obras literárias.
Quintana teve como ofício o jornalismo, traduzindo com uma ótima perfeição técnica mais de 130 obras da Literatura Universal.
Mas foi somente no ano de 1940 que lançou seu primeiro livro de poesias, iniciando, assim, sua carreira de poeta-escritor. Em
1966 foi saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manoel Bandeira, e obteve o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de Escritores pela obra Antologia Poética.
Suas principais obras:
A Rua dos Cataventos
Sapato Florido
Prosa & Verso
Velório sem defunto
Canção do Amor Imprevisto

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoista e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos…
E o homem taciturno ficou imóvel,
sem compreender nada,
numa alegria atônita…
A súbita,
a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos!
Mario Quintana
(1906 - 1994)

18 de outubro de 2006

Vinícius de Moraes


Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1913.
Formou-se em Direito, onde ingressou na carreira diplomática, servindo em Los Angeles, Paris e Montevidéu. Era também formado em Literatura Inglesa, pela Universidade de Oxford.
Com apenas 19 anos, Vinícius publicou seu primeiro livro poético “Caminho para a distância”.
Extremamente lírico, o autor popularizou o soneto no Brasil.
Foi boêmio e muito conquistador, e isso refletia ao longo dos seus nove casamentos.

Suas principais obras:
Forma e exegese
Ariana, a mulher
Cinco elegias
Poemas, sonetos e Baladas
Soneto do Amigo
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascerE o espelho de minha alma multiplica...
Vinícius de Moraes
(1913 - 1980)

17 de outubro de 2006

Carlos Drummond de Andrade

Um poeta de alma e ofício. Assim era Carlos Drummond de Andrade, mineiro nascido em 1902 em Itabira.
Durante sua juventude, teve seu trabalho publicado no jornal “Diário de Minas”.
Em 1925 formou-se em Odontologia e Farmácia. Nesse mesmo ano, casou com Dolores Dutra de Morais.
Seu primeiro livro “Alguma poesia” foi lançado em 1930.
Além de escrever para os jornais mineiros, em 1969, Drummond passou a colaborar no “Jornal do Brasil”, escrevendo uma coluna que se tornaria referência no jornalismo brasileiro.
Suas principais obras:
Sentimento do Mundo
O gerente
Claro enigma
Boca de Luar
Corpo
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer


esse amanhecer
mais noite que a noite.

Carlos Drummond de Andrade
(1902 – 1987)

16 de outubro de 2006

Cecília Meireles


A poetisa Cecília Meireles nasceu na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1901. Sua vida foi marcada por grandes tragédias.

Aos três meses de vida, Cecília perdeu seu pai. Quando completou três anos, sua mãe veio a falecer, sendo criada pela sua avó Jacinta Garcia Benevides. Os outros três filhos que seus pais tiveram, nenhum deles sobreviveram.

Com essa experiência de vida, Cecília retratava em suas poesias a tragédia, passagem do tempo e a ausência de sentido na vida.

Iniciou-se na área de literatura com apenas 9 anos de idade, e aos dezoito publicava seu primeiro livro “Espectro”. Apesar de viver numa época a qual o Modernismo predominava, Cecília foi fortemente influenciada por técnicas do Simbolismo, Classicismo, Romantismo, Parnasianismo, Realismo e Surrealismo.

Em 1922, Cecília casou-se com o pintor português Fernando Correia Dias e teve 3 filhos. Mas novamente a tragédia imperou na sua vida. Fernando suicidou-se em 1936 devido a crises de depressão.

Em 1940, casou-se novamente com o engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Suas obras principais:

  • Criança, meu amor
  • Baladas para El-Rei
  • Viagem
  • A Rosa
  • Ou Isto ou Aquilo
  • O menino atrasado

Aquele que aproxima os que sempre estarão
distantes e desunidos
e separa os que pareceriam
para sempre unidos e semelhantes
enxuga meus olhos
no alto da noite de mil direções.
Encostada a seu peito,
contemplo desfigurada
o negro curso da vida
como, um dia,
do alto de uma fortaleza
vi a solidão das pedras milenares
que desciam por suas arruinadas vertentes.

Cecília Meireles (1901 - 1964)

15 de outubro de 2006

Gabriela Mistral

O Chile é muito conhecido pela sua cultura literária, isso se demonstra em dois grandes nomes da poesia: Pablo Neruda e Gabriela Mistral, ambos ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura.
Gabriela Mistral é o pseudomino da autora Lucila de Maria Del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga.
Nasceu em Vicuña, Chile, em 1889.
Seus poemas retratam o amor, amor maternal, memórias pessoais dolorosas, mágoa e recuperação de algum sofrimento intenso, além de sempre demonstrar o seu carinho pela humanidade.

Suas obras principais:
Sonetos de La Muerte
Desolación
Lecturas para Mujeres
Tala
Pezinhos de criança
azulados de frio
Como os vêem e não os cobrem,
Deus meu!

Pezinhos feridos
pelas pedras todas,
ultrajados de neves
e lodos!

O homem cego ignora
que por onde passais,
uma flor de luz viva
deixais;

Que ali, onde colocais
a plantinha sangrante,
o narco nasce mais
perfumado.

Sede, posto que marchais
pelos caminhos retos,
heroicos como sois
perfeitos.

Pezinhos de criança,
duas joinhas sofridas,
como passam sem ver
as pessoas!
Gabriela Mistral
(1889 - 1957)

14 de outubro de 2006

Pablo Neruda


Neftali Ricardo Reyes Basualto, ou simplesmente Pablo Neruda, nasceu no Chile em 1904.
Durante o início de carreira, Pablo retratava em suas poesias uma angústia extremamente romântica, a qual contagiava seus leitores.
Alguns anos depois, passou por uma fase surrealista, além de se tornar marxista e revolucionário nas questões da República Espanhola e latino-americanas.
Em 1971, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.


Suas obras principais:
A Canção da festa
Crepusculario
Vinte poemas de amor e uma canção desesperada
As uvas e o vento


Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...
”No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.
Pablo Neruda
(1904-1973)

Sejam bem-vindos

Esse blog foi criado com o intuito de promover a leitura através de sugestões literarias, apresentação de crônicas e contos de alguns autores famosos, textos para discussões e entre outros.
Que esse seja um caminho alternativo para novas ideias e discussões no meio biblioteconômico!!!
“Amar a leitura é trocar horas de tédio por horas de inefável e deliciosa companhia.”
John Kennedy