17 de outubro de 2006

Carlos Drummond de Andrade

Um poeta de alma e ofício. Assim era Carlos Drummond de Andrade, mineiro nascido em 1902 em Itabira.
Durante sua juventude, teve seu trabalho publicado no jornal “Diário de Minas”.
Em 1925 formou-se em Odontologia e Farmácia. Nesse mesmo ano, casou com Dolores Dutra de Morais.
Seu primeiro livro “Alguma poesia” foi lançado em 1930.
Além de escrever para os jornais mineiros, em 1969, Drummond passou a colaborar no “Jornal do Brasil”, escrevendo uma coluna que se tornaria referência no jornalismo brasileiro.
Suas principais obras:
Sentimento do Mundo
O gerente
Claro enigma
Boca de Luar
Corpo
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer


esse amanhecer
mais noite que a noite.

Carlos Drummond de Andrade
(1902 – 1987)

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