21 de outubro de 2006

Castro Alves

Em 1847, na Bahia, nascia Antônio Frederico de Castro Alves, ou simplesmente, Castro Alves.
Filho de médico e professor, Castro Alves sempre teve em seu lar o incentivo a leitura, onde encontrou a atmosférica literária,a través de contos, poemas e poesias.
Com apenas treze anos fez seus primeiros versos.
E pouco anos depois, em 1868, no Rio de Janeiro, recebeu a consagração pública de Machado de Assis e José de Alencar.
No fim desse mesmo ano, Castro Alves sofrera um acidente, um tiro no pé durante uma caçada, a qual resultou uma longa enfermidade, cirurgias e mutilações. Não resistindo a esse sofrimento, veio a falecer em 1871.
Reconhecendo-lhe o talento e importância, a Academia Brasileira de Letras nominou a sua cadeira 7 em homenagem ao Poeta dos Escravos, o "condoreiro" Castro Alves.
Suas principais obras:
Espumas Flutuantes
A Cachoeira de Paulo Afonso
Os EscravosTragédia no Lar
A Canção do Africano

Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto o braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão...
De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez, pr'a não o escutar!
"Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!"
O sol faz lá tudo em fogo,
Faz em brasa toda a areia;
Ninguém sabe como é belo
Ver de tarde a papa-ceia!
"Aquelas terras tão grandes,
Tão compridas como o mar,
Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de pensar...
"Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro;
A gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro".
O escravo calou a fala,
Porque na úmida sala
O fogo estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
P'ra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar!
O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.
E a cativa desgraçada
Deita seu filho, calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!
Castro Alves
(1847 – 1871)

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