6 de agosto de 2010

Capítulo 2 - Livro Sem Título

Por Thais M.
Os artifícios do Ilusionismo existem há séculos, contudo suas artes estavam relacionadas aos feiticeiros. Ganhou força somente no século 18, tornando-o popular por toda Europa. Um dos mais famosos ilusionistas foi Harry Houdini, mais conhecido como “Rei das Fugas”.

No final do século 20, o Ilusionismo voltou a fama através de mestres como Doug Henning e seu pupilo David Copperfield. Mas, em Berlim, pouco conhecido em seu próprio país como no resto do mundo, surge Hans Fitzberg, o melhor ilusionista de todos os tempos, e mestre de Klaus Andersen.

Klaus estava com, exatamente, 11 anos quando conheceu Hans na feira em que sua família trabalhava. O mestre, alto, magro, cabelos loiros e compridos, amarrado em um rabo de cavalo, não se simpatizava com crianças. Na barraca de frutas, preferia ser atendido pelo irmão mais velho de Klaus.

Mas, algo despertava o interesse do pequeno menino. Cada vez que seus olhares se cruzavam, Klaus sentia-se como envolto de um poder, algo inexplicável para sua pouca idade. Um dia, percebeu que os olhos de Hans mudavam de cor, passavam de um azul turquesa para um vermelho vivo. Não conseguia compreender como aquilo era possível.

Em outra ocasião, Klaus notou que o homem misterioso acendia seu longo charuto com o fogo que saia de seu dedo indicador. Fascinado com tão atitude, Klaus começou a conversar com Hans, nos breves momentos em que comprava maçãs ou peras.

- Bom dia, senhor. – exaltava o menino assim que via Hans.

Mas este nada respondia. Apenas fingia que aquele menino não existia.

No outro dia:

- Senhor, bom dia. Posso lhe ajudar?

Sem êxito, Klaus se encolhia num canto na barraca e espera seu irmão, Frederick atender o homem.

Mas, um dia, ao perceber que Hans se auto-levitou discretamente na feira, o pequeno Klaus não se conteve. Arrancou-lhe a sacola que carregava suas frutas e disse que lhe ajudaria a levar suas compras até sua residência.
Hans não acreditava não ousadia desse menino e sua vontade imediata era assustar o menino e que ele nunca mais o perturbasse. Para isso, pegou uma pomba que estava comendo alguns farelos de pão na beirada da calçada e começou a esmagá-la com os pés. Penas voavam e chicoteavam por todos os lados.

Pensando que o menino sairia correndo por tamanha brutalidade, Hans parou. Klaus simplesmente olhou para o homem e disse:

- Sei que isso é somente uma encenação. A pombinha está sob a sua cabeça, escondida no seu chapéu.

Como esse garoto descobriu umas das técnicas mais perfeitas de Hans? Seus passos foram aplicados minuciosamente, enquanto fingia prender a pomba com seu pé, o ilusionista a trocou por uma trouxinha de penas e levou a pequena ave para seu chapéu, em milésimos de segundos, jamais um olho humano comum teria facilidade de ver tal movimento, ainda mais um garoto pobre do subúrbio de Berlim.

Intrigando, perguntou ao menino como ele descobrira. Klaus respondera:

- Simplesmente, vi tudo!

Hans notou que esse menino tinha algum dom ou talento especial para o Ilusionismo. Seu fascínio pelas suas mágicas, seu olhar, sua admiração e seu raciocínio rápido, fizeram que o mestre sentisse uma vontade de lhe ensinar algumas técnicas, inicialmente, simples e porque não, bobas da arte da ilusão.

Ao chegaram à casa de Hans, um pequeno sobrado, cinza, do estilo colonial, com uma imensa porta de madeira na entrada, totalmente desproporcional ao tamanho da casa, o mestre se agacha até a altura do menino e pergunta:

- Ao passar por essa porta, você conhecerá um mundo totalmente diferente de sua realidade, da realidade da maioria das pessoas. É algo para se temer. Que dá arrepios, onde o sobrenatural se confundirá com realidade, e nada na vida se tornará mais fascinante e perturbado do que esse novo mundo. Assim, como meu mestre me mostrou o verdadeiro caminho quando eu tinha a sua idade, você está recebendo hoje o mesmo convite. Mas, saiba, pequeno Klaus Andersen, que sei da sua vida mais do que você pensa e você foi o escolhido.

Klaus jamais tinha visto esse homem fora da feira, como ele poderia insinuar que o conhecia mais do que a si próprio. Mas, sua vontade de adentrar porta adentro era mais forte que tudo. Sentia que algo na sua vida iria mudar drasticamente e não queria pensar nas conseqüências.

Ao passar pela grande porta, seu corpo se enrijeceu.

Continua....

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